Suor que mergulha em sensações infinitas, na respiração que conflita e não veta... o momento em que desperta traz fúria que culmina. Feito menina, olha-o de canto, amante que venera, insanidade os esperam. Despida, exibe-se em alto som e tom de melindre. Recostada em posição de esfinge. Seda pesada envolta ao descontrole, que rasga e emerge dos mais eloqüentes sintomas da vontade humana. No escuro, o claro...o corpo...o grito....ele o procura nela, enquanto ela o encontra nele, abafadamente, descontrolado. Ela o sente de fronte, de costas, de lado... invertida. Sente o insano medo de esquecer o tempo perdido. Seus corpos nus entrelaçados, desconhecem som, vontade e dor.. Oh! Soberano instinto. Amantes da incerteza que vangloria sobre a mesa, o ato de pleno pronto que a pele retoma em canto. As línguas tangem os dentes, que libertam sobre a corrente, a vontade inóspita desejada que inunda em mudo pranto a razão flertada. Lençol de rosas que os corpos perfumam, doce ventre que recosta-se e o deslumbra, no sabor contagiante da leve espuma, ecoa mórbido e solto feito pluma. ... embriaga-se engasgando-se, pois sente na essência o chamar, sussurros inevitáveis de seu sangüíneo amar. Cúmplices frente ao espelho que os remete ao retrato. Ele nu fronte à lamina lapidada, olha fixamente a nudez encantada. Divinamente deitada e dormente, por todo prazer que traz teu corpo quente. Todo seu tesouro repousa em única superficie, e em qualquer movimento o rompimento é nulo. Não há deslize! Ela o quer mais do que tudo, aclama inquieta sua´lma, fazendo de seu estado... dilúvio! Brincam deslizando suas linguas ilícitas, que elevam todo o prazer, inegavelmente, convictas. Os dedos já débeis e estigmatizados cercam todo o nu... entram e saem, repousam e se distraem. E então sente sob o ventre sua leveza tocar e sobre teus seios, a língua dançar. Arranham-se em cada aurora, e como aracnídeos sedentos sobem e descem por todo o corpo. Cegam-se e adormecem num estalo, quase rumo à morte, mas sobrevivem... justa sorte. Há toque... sutileza... sua boca a bebe com nobreza. Corpos que se encaixam com perfeição. Meu caro amante eleva-me com as mãos. Até longínquas altitudes..resgatando-me..beijando ternamente toda minha composição. Em choro baixo, ouve-se apenas emoção. Já ofegante ouve seu chamar, entregando-se de corpo e alma ao pleno desvendar. Loucos e, insanamente, loucos seus versos jamais decodificados, ecoam livres pelos céus e dão aos prazeres, frutos envoltos em véus. Então ela voa como um anjo e, livremente, pousa sobre o corpo do engano, do cego orgasmo devorador, que como um ator devora sua espinha e arrepia sua alma! Assenta-se na interação louca e vil, de um vampiro e um anjo de vôo tardio! E quando o momento eterno cessa feito subalterno, aos laços humanos nossos corpos regressam. Ela o amamenta com gritos de louvor, por sentir na pele os rasgos de puro esplendor. Ele a quer neste momento, não por mero pedido, e sim como parte do tormento. Seus olhos são de mel confrontam-se com todo azul do céu. Como suas pupilas é celeste o vislumbre no ápice culminante, que a faz voar e dominar qualquer instante... Oh! Gigante! A ausência é como pranto infindável. Oh! Corrosivo desfalecimento insuportável! Suga, inspirando sem cessar descontrole do gemido que atira! Como pode ser tão feitiço que intimida?! Á domina. Que entrelace! Que amasse! Que engula! Como face ao enlace de um pranto de um orgasmo. O pranto deságua pelo término, implorando por mais e MAIS! Necessidade sangüínea dos sentidos pró-humanos que atraem-se, completam-se...contorcem-se e enxaguam-se. Morte Plena que Vida Plena não condena. Salva. E sem recusas ao vento, sutilmente inspiram-se no cair do momento e no enlace da união momentânea, supostamente eterna. Veem-se... Vislumbram-se. Beijam-se... Possuem-se. E por fim adentram-se apenas no vácuo de um silencio, onde a´lma toca e os corpos flutuam.
by Ricardo Cicarelli